Saúde Mental e o impacto na vida do atleta

Na última semana o mundo assistiu uma pessoa adoecida mentalmente gritar por ajuda, num momento que poderia ser extremamente especial. A esportista Simone Biles, favorita em sua modalidade, desistiu da competição final individual da ginástica artística dos Jogos Olímpicos de Tóquio, alegando não estar bem emocionalmente.
Essa notícia levanta ainda mais a importância de falar sobre saúde mental e seu impacto nas diversas dimensões da vida de uma pessoa.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, somos seres biopsicossocial e espiritual e nesse sentido, uma mente adoecida não responde a um corpo sadio, treinado e teoricamente preparado para enfrentar o esgotamento de uma competição.
Vários fatores podem levar uma pessoa a não dar conta de segurar a pressão, principalmente, por ser favorita, pela expectativa em relação aos resultados, e isso pode ter impactado no emocional da atleta.
Não estar psicologicamente preparado para lidar com o baixo desempenho numa prova, frustração com a colocação, comparação, dificuldade em enfrentar uma situação mais difícil, pode-se desequilibrar uma pessoa mentalmente.
A responsabilidade em apresentar resultado esperado por um país inteiro, patrocinador, fãs, muitas vezes se torna insuportável. As tensões internas próprias de uma pessoa associada às pressões externas podem gerar um quadro de ansiedade.
As crenças adquiridas ao longo da vida de treinos e competições podem levar o esportista a sofrer silenciosamente, já que passar do limite do corpo e da mente é algo que faz parte da sua rotina, muitas vezes desde criança, porém uma hora a “bomba emocional” explode e o tira da cena, demonstrando total despreparo mental.
Ter sanidade mental permite a pessoa a saborear as coisas da vida, equilibrando seus esforços frente a suas atividades, buscando a realização de seus objetivos. É saber lidar com as adversidades e atingir um completo estado de bem-estar físico, mental e social.
Quem assistiu a competição de skate masculino, percebeu o jeito quieto e focado de Kelvin Hoefler, medalhista de bronze. O esportista manteve-se tranquilo e resiliente mesmo quando recebia nota zero, e isso não o fez esmorecer e o levou ao pódio.
O mesmo aconteceu com a skatista Rayssa Leal de 14 anos de idade, que demonstrava segurança e equilibrio emocional. Porém, a pressão pode aparecer mais no futuro, quando as exigências começarem a pesar, nesse sentido, é fundamental o suporte psicológico para que não se desestabilize emocionalmente e até adoeça, colocando tudo a perder.
Ninguém está protegido de desmoronar psicologicamente, mesmo com talento, Know-how, medalhas, reconhecimento, e sozinho, sem acompanhamento psicológico fica complicado, já que é muito desafiador se reerguer, retomar sua vida, e seguir em frente.
Infelizmente ainda há muito preconceito e negligência em relação ao cuidado com a saúde mental, e com isso um aumento preocupante com casos de doença extrema e até suicídio.
Espero que após tantos casos e constatações, as pessoas de um modo geral, passe ter um olhar mais aberto para o tema, e dessa maneira evitar que situações, como a da Simone, possam existir.
E se você ou alguém próximo, não estiver se sentindo bem emocionalmente, não hesite em buscar ajuda, a assistência e orientação de especialista, pode mudar o cenário de dor e angústia.
Adoecer mentalmente não é frescura, “mimi”, falta do que fazer, ou falta de fé, portanto, vamos lutar contra a psicofobia.
Deixe seu comentário!

Daiane Daumichen

Psicóloga
Me siga nas redes sociais: Instagram: @daianedaumichen_

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *